Dalva | cultura


Agência Popular Solano Trindade, a potência da periferia.

A pesquisa de Mestrado desenvolvida através do programa de Sociologia da Unicamp tem por objetivo investigar a Agência Popular Solano Trindade que atua, a partir da região do Capão Redondo (zona sul da cidade de São Paulo), com o fomento de práticas da produção cultural de periferia. Seu principal método é a formação de uma rede de colaboração dos agentes culturais que organiza circulação de bens e serviços e o financiamento comunitário, com destaque para a moeda social “Solano”. Nesse sentido, a indagação central da pesquisa é: a produção cultural de periferia pode elucidar disputas emancipatórias no contexto do capitalismo? É base de nossa argumentação teórica a hipótese de que, se no atual estágio da atividade capitalista a cultura passa a ser o substrato central da produção de riqueza, as práticas culturais, especialmente de periferia, poderiam ser um campo de significativa expressão de tais disputas emancipatórias. Desse modo, a composição de uma esfera biopolítica – onde a dimensão do poder estaria capilarizada e imposta também a partir das micro relações, o que complexifica, na sociedade de hoje, os embates por reconhecimento e legitimidade – nos parece ter relação com o território no qual se constituem as atividades da Agência: a periferia, que surge, portanto, como uma categoria historicamente subalterna, porém socialmente contestatória e engajada. Como metodologia, essa pesquisa empírica irá se valer do trabalho de campo através de entrevistas semi-estruturadas e observação participante.


Burburinho Lab, por uma (des) produção cultural

Burburinho Lab (BLab) é um território para novas elaborações das práticas em produção cultural. Tendo como principal característica o sentido de aproximação e compartilhamento entre agentes culturais, o BLab reúne ferramentas e funcionalidades para o entendimento específico da produção cultural como ambiente de coesão, como catalisadora de conversações múltiplas e  potencialmente irrestritas dos fazeres e saberes culturais.

o BLab privilegia a construção colaborativa e compartilhada da produção cultural, entendendo a realização de produtos e ações culturais não apenas como finalidades em si mesmas, mas como resultado de um processo próprio e singular. Assumir que a Cultura se constitui em uma diversidade homogênea e rechaçar as pretensões de unicidade e centralismo é desafio aqui proposto.

Com isso, aposta, de forma prática, em parcerias ativadoras de experiências dos projetos e ações culturais, desenvolvendo atividades de diagnóstico participativo/mapeamento, oficinas de produção cultural, imersões de reconhecimento de agentes culturais, modelos de “cuidadoria” cultural entre outras.

O Burburinho Lab, portanto, desde 2009, se constitui como um modelo de realização da produção cultural; estando associada ao grupo Burburinho Cultural. Tem como referência de atuação as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Burburinho LAB (1)_baixa

 

 

 


Afinal, que é produção cultural?

Cultura para mim é, sobretudo, um lugar de negociação de sentidos. E, se me for permitida a brincadeira, cultura não se produz, cultura é. E se expressa como a condição inerente à existência humana, no processo de significar a nós mesmos e de atribuir significado ao que nos é alheio.

O universo virtual, em contraponto, é, mais que um suporte técnico cibernético, uma forma concreta de expansão, em larga escala, dessas chances de posicionamento e discurso sobre o mundo.

Para mim, o gráfico do que acredito ser a função do produtor em cultura é outro, completamente desconstruído; no lugar de alguns centros verticalizados, vários, milhares, milhões de centros apontam em direções diversas, em vias de múltiplos trajetos.

Acredito que o produtor cultural de hoje é o profissional que entende a necessidade de um posicionamento determinado, proativo, alerta e sensível a esse irreversível contexto de alargamento do diálogo entre público, privado, sociedade civil, setores técnicos e artísticos.

Aqui fica meu convite a uma produção cultural enzimática, construtiva e inovadora. Vamos?